Se lembrar-te de mim, lembra-te
com atenção e bastante saudade.
Pois minha saudade ausenta-me
de mim no exato momento em que
saudoso, lembro-me de ti.
Hoje, como sempre, pensei em ti.
Coloquei o litoral em uma
ampulheta e esperei o mundo
acabar, mesmo sem te ver.
Sabe que quando vou por ai
é pura ausência e certeza.
Que o tempo não acaba,
mas também não pode parar.
E mesmo assim,
dentro de uma ampulheta,
inerte em um tempo que não para.
O amor presente é ausência.
Vou dobrar mais algumas
esquinas por aí.
Quem sabe não chego por acaso
à rua onde moras.
Quem sabe a manhã,
castigo de quem trabalha
não seja o acaso inevitável
do fim da tua ausência.
Quem sabe a lua,
companheira amada da poesia
seja um manto, e entregue
com flores e cânticos
seu calor a mulher amada.
Igor Felix