Friday, February 12, 2010

Transa

Uma menina assim,
que é das flores o sol
Iluminado a deitar na varanda.
Que é do jardim
o perfume sublime
inebriante da transa.
Entre a semente e o jardim,
entre as roupas e o jasmim.

Igor Felix

Noite

A luz da lua a dançar
uma clave de sol,
sol que vem bailar
num azul, azulando o mar.

Noite que é lágrima,
de tesão e fantasia.
Noite que é de mar,
que é de ar e de poesia.

Estamos loucos sem saber
por quem, por isso
estamos sempre por ai.
À procura de alguém
que beijamos ao partir.

Como são perfumados e macios
os seios da noite.
Noite que se entrega cedo,
me desarruma os cabelos
no mesmo tempo que desato
seus botões.

Noite deitada comigo até tarde.
E as cortinas que não se abrem
para que o sol não chegue mais.
Apenas tú noite, ânsia
do meu desejo.
Deita-te um pouco mais.

A luz das velas vem dançar
à luz da Lua, que comigo
vem brilhar, à luz do dia
na longa espera da noite.
Apenas para deitar.

Igor Felix

Thursday, February 11, 2010

Ampulhetas

Se lembrar-te de mim, lembra-te
com atenção e bastante saudade.
Pois minha saudade ausenta-me
de mim no exato momento em que
saudoso, lembro-me de ti.

Hoje, como sempre, pensei em ti.
Coloquei o litoral em uma
ampulheta e esperei o mundo
acabar, mesmo sem te ver.

Sabe que quando vou por ai
é pura ausência e certeza.
Que o tempo não acaba,
mas também não pode parar.

E mesmo assim,
dentro de uma ampulheta,
inerte em um tempo que não para.
O amor presente é ausência.

Vou dobrar mais algumas
esquinas por aí.
Quem sabe não chego por acaso
à rua onde moras.

Quem sabe a manhã,
castigo de quem trabalha
não seja o acaso inevitável
do fim da tua ausência.

Quem sabe a lua,
companheira amada da poesia
seja um manto, e entregue
com flores e cânticos
seu calor a mulher amada.

Igor Felix